Um enunciado, uma obra que você estudou, quatro horas. Na dissertação (dissertation) do bac de français, a pergunta já vem dada: todo o trabalho da introdução é mostrar que você a leu com precisão e que sabe para onde sua resposta vai. Esta página explica o que realmente se espera de você, como construir cada etapa, e mostra o método aplicado a um romance, uma peça de teatro e uma coletânea de poemas.
A dissertação só existe na via geral (voie générale). Na via tecnológica, a prova escrita propõe o comentário de texto, ou a contração de texto seguida do ensaio (contraction e essai).
O que o corretor realmente espera
Não existe método oficial de introdução, e nenhum corretor pode exigir de você uma forma “canônica”. Os textos oficiais dizem com clareza, por outro lado, o que ela deve fazer:
- Introduzir o tema, formular o que está em jogo e anunciar a construção do desenvolvimento. É a definição dada pelo Eduscol, que acrescenta que ela pode ser bem breve.
- Citar o enunciado e analisar seus termos, sem reformulá-lo. A FAQ da académie d'Aix-Marseille para os alunos é clara: reformular o enunciado costuma levar à fuga do tema. Ele é citado tal como está, e depois se trabalham suas palavras.
- Não deslocar a pergunta. O enunciado já faz uma pergunta: seu trabalho é mostrar o que está em jogo nela, não inventar outra ao lado. Uma problemática que não reflete sobre os termos do enunciado está entre os defeitos apontados pelos corretores.
- Sem biografia, sem movimento literário obrigatório. Nenhuma passagem pela vida do autor ou pela história do século é esperada na introdução.
Em outras palavras: a introdução da dissertação não precisa ser brilhante. Ela precisa ser exata em relação ao enunciado.
O método, passo a passo
A introdução é pensada primeiro, no rascunho, porque a análise do enunciado orienta todo o seu plano. Mas ela é passada a limpo depois que o plano estiver definido, para anunciar exatamente o que você vai fazer.
1. Introduzir o tema
Uma frase de abertura (amorce) que conduz à pergunta feita: um fato sobre a obra, sua recepção, um debate que ela provocou. Para um enunciado sobre Alcools: “Em 1913, Apollinaire suprime toda a pontuação de sua coletânea no momento de publicá-la.”
Como no comentário, a abertura só tem uma exigência: levar a este enunciado específico. Se ela pudesse abrir qualquer prova, não serve para nada.
2. Citar o enunciado e situar a obra
Você copia o enunciado palavra por palavra, entre aspas, e depois situa a obra: seu autor, sua data, seu gênero e o percurso (parcours) associado, se o enunciado o mencionar. É a etapa mais simples e, mesmo assim, a que mais se erra: um enunciado resumido ou reformulado já não é exatamente o mesmo enunciado.
3. Analisar as palavras do enunciado
É o coração da introdução. Pegue cada palavra importante e pergunte-se o que ela quer dizer nesta obra:
- As palavras-chave carregam o tema: “paixão”, “modernidade”, “comunicar”.
- As palavras-ferramenta orientam todo o enunciado: « seulement » (apenas), « ne… que » (só), « toujours » (sempre), « est-ce que » (será que). No bac 2026, o enunciado sobre Rimbaud perguntava: « Dans le Cahier de Douai, est-ce seulement par la révolte que Rimbaud s'émancipe ? » (“No Cahier de Douai, é apenas pela revolta que Rimbaud se emancipa?”). Tudo dependia de « seulement »: esquecê-lo era fugir do tema.
- Os pressupostos. O que o enunciado dá como certo: um enunciado que pergunta se uma obra é “apenas” alguma coisa admite que ela o é, pelo menos em parte.
4. Formular a problemática
Quando o enunciado é uma pergunta, ela é a sua problemática: você não inventa outra. Você a retoma com as palavras dele, mostrando o que está em discussão a partir da sua análise: o que o enunciado admite, e o que se pode opor ou acrescentar a ele. « Nous nous demanderons donc si… » (“Vamos nos perguntar, portanto, se…”) basta, sem inversão nem ponto de interrogação.
Quando o enunciado parte de uma citação, a pergunta é a que a acompanha (« Partagez-vous ce point de vue ? », “Você concorda com esse ponto de vista?”; « Cette affirmation éclaire-t-elle votre lecture ? », “Essa afirmação ilumina a sua leitura?”): sua problemática retoma, então, as palavras da citação.
5. Anunciar o plano
Duas ou três partes, na ordem, em uma frase fluida. Um enunciado construído sobre « seulement » ou « ne… que » costuma pedir um plano que primeiro reconhece a tese e depois a matiza ou a supera.
Três introduções completas
O mesmo método, em três gêneros. Os enunciados são enunciados-modelo, criados para o exemplo.
Um romance: La Princesse de Clèves
Publicado sem nome de autor em 1678, La Princesse de Clèves fez seus primeiros leitores debaterem uma cena: a confissão que a heroína faz ao marido de seu amor por outro homem. O enunciado pergunta: “La Princesse de Clèves é apenas um romance da paixão amorosa?” O romance de Madame de La Fayette conta, sim, o amor da princesa pelo duque de Nemours; mas o advérbio “apenas” convida a olhar o que a heroína faz dessa paixão, que ela combate, confessa e à qual acaba renunciando. Vamos nos perguntar, portanto, se La Princesse de Clèves é apenas um romance da paixão amorosa, ou se essa paixão permite também retratar a lucidez de uma heroína que escolhe renunciar. Veremos primeiro que a paixão domina todo o romance, depois que ela se torna o meio de uma reflexão sobre a lucidez e a renúncia.
O que ela acerta: o enunciado é citado tal como está, “apenas” é analisado, a problemática mantém as palavras do enunciado e o plano decorre diretamente dessa análise.
Uma peça de teatro: Juste la fin du monde
Em Juste la fin du monde, escrita em 1990, Jean-Luc Lagarce imagina um retorno: Louis volta para a família, depois de anos de ausência, para anunciar sua morte próxima, e vai embora sem tê-la revelado. O enunciado propõe: “Juste la fin du monde é uma peça sobre a impossibilidade de comunicar. Você concorda com esse ponto de vista?” A palavra “impossibilidade” é forte: os personagens, no entanto, não param de falar, mas em torno do essencial, que permanece não dito. Vamos nos perguntar, portanto, se a peça mostra realmente uma impossibilidade de comunicar, ou se o teatro faz ouvir de outro modo o que os personagens não conseguem dizer uns aos outros. Veremos primeiro uma fala bloqueada dentro da família, depois a maneira como os monólogos dirigidos ao público fazem ouvir o que não é dito.
O que ela acerta: o enunciado parte de uma citação, e a análise se detém na sua palavra mais forte, “impossibilidade”; a problemática retoma as palavras da citação e coloca a tensão que o plano vai tratar.
Uma coletânea de poemas: Alcools
Em 1913, Apollinaire suprime toda a pontuação de sua coletânea no momento de publicá-la. O enunciado pergunta: “Alcools é apenas uma coletânea da modernidade?” A modernidade se lê nesse gesto, como em « Zone », que abre a coletânea com a cidade e suas máquinas; mas “apenas” obriga a perguntar o que a coletânea conserva da poesia de antes: seus versos regulares, sua melancolia amorosa, suas lendas. Vamos nos perguntar, portanto, se Alcools é apenas uma coletânea da modernidade, ou se a sua modernidade renova uma poesia mais antiga. Veremos primeiro o que faz de Alcools uma coletânea moderna, depois o que ela deve a uma poesia mais antiga que ela transforma.
O que ela acerta: a abertura não é decorativa, ela já traz um primeiro argumento sobre a modernidade, e o plano segue a tensão entre modernidade e tradição.
Os erros que os corretores apontam
- Reformular o enunciado. É a principal causa de fuga do tema, segundo a académie d'Aix-Marseille. Primeiro se cita, depois se analisa.
- Uma problemática que ignora as palavras do enunciado. Os corretores de Nancy-Metz apontaram problemáticas que não refletiam sobre os termos dados. Cada palavra importante deve encontrar seu lugar na sua reflexão.
- Esquecer a palavra-ferramenta. « Seulement », « ne… que », « toujours »: essas palavrinhas mudam todo o enunciado.
- Referências vagas. Exemplos sem relação precisa com o enunciado não valorizam a prova, lembra a FAQ de Aix-Marseille. Mais vale um exemplo preciso da obra do que uma generalidade.
- A abertura que serve para tudo. « De tout temps, les hommes… » (“Desde sempre, os homens…”) não é citada por nenhum texto oficial, mas todos os sites de método a desaconselham, por um bom motivo: ela não leva a nenhum enunciado em particular.
Dissertação ou comentário: o que muda na introdução
As duas introduções têm o mesmo esqueleto: introduzir, apresentar, fazer uma pergunta, anunciar o plano. Mas na dissertação a pergunta já está no enunciado: você o cita e analisa suas palavras. No comentário, você apresenta um texto desconhecido e é você quem constrói a pergunta. O método está detalhado em Como acertar a introdução do comentário.
Perguntas frequentes
Qual deve ser o tamanho da introdução de uma dissertação?
Não existe nenhum tamanho oficial. O Eduscol diz apenas que ela pode ser bem breve. Ela deve deixar espaço para a análise do enunciado, que é o seu coração, sem começar a argumentar no lugar do desenvolvimento.
É preciso reformular o enunciado?
Não. Cite-o palavra por palavra e depois analise seus termos. A reformulação é a principal causa de fuga do tema, porque um enunciado resumido já não é exatamente o mesmo enunciado.
É preciso inventar uma problemática?
Não. Quando o enunciado é uma pergunta, ela é a sua problemática: você a retoma com as palavras dele, mostrando o que está em discussão a partir da análise dos seus termos.
O plano em três partes é obrigatório?
Não. Duas ou três partes são aceitas. O que importa é que sua reflexão avance e responda à pergunta feita.
Posso usar « je » na introdução?
A escolha da enunciação é livre, e a primeira pessoa não é penalizada. O costume continua sendo o « nous » ou as construções impessoais (« on peut se demander », « il s'agit de savoir »).

